Piscina

As nuvens que vejo da minha janela são brancas e se desmancham com o vento. São transcendentes e permitem que a luz passe. Se desmancham, se juntam, formam novas nuvens e voltam a virar água. As nuvens que vejo são a última esperança de chuva em um céu azul piscina de um dia quente. Formam figuras desconhecidas, remetem a movimentos, danças, coreografias desengonçadas que não fazem nenhum sentido a quem as vê, mas que me fazem pensar em música calma pra lhes guiar. As nuvens que vejo no céu… se abaixo minha cabeça quando volto meu olhar pra elas já não estão mais lá. As nuvens que agora vejo, já não são mais nuvens, são apenas céu. Azul. Piscina.

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Eis a questão…

Eis a questão: se a criança não pode ser consumidora direta, por que propagandas voltadas pra ela? As empresas agem livremente divulgando seus produtos e acreditam que cabe aos pais decidir o que é melhor para seus filhos, o que eles devem assistir, quais brinquedos eles devem ter. Sendo assim, então por que não fazer uma publicidade para os pais, tentando convence-los de que aquele brinquedo é bom pro seu filho? Talvez não seja assim tão fácil para os publicitários (ou até mesmo para os empresários) encontrar um benefício que esse brinquedo possa trazer pra criança.

Seria a criança, ao invés de objetivo, apenas o meio pra conquista do lucro? É imoral, ou até mesmo ilegal, se aproveitar da inocência da criança, da incapacidade de discernimento desta, pra se vender um produto? Eu acredito que sim.

É notavelmente clara a inutilidade de alguns brinquedos. São perceptíveis os malefícios que alguns deles trazem. O que satisfaz a criança não é o brinquedo em si, mas apenas o prazer de tê-lo. De início é uma grande alegria, mas logo eles se tornam sem graça e acabam indo parar na cesta junto com os outros (também desgostados) que, juntos, mais parecem sucata. E logo veremos essas crianças correndo por aí, andando de bicicleta, jogando bola, brincando de coisas que nunca saem de moda e que não precisam ser anunciadas na TV pra despertarem o interesse de garotos e garotas.

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Banana’s Solution

Senhores Empresários do ramo alimentício, sigam o exemplo da banana: ela é nutritiva, prática, de fácil manuseio e transporte e, além de tudo, a embalagem é orgânica.

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conduta

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pro(lixo)

No mundo de hoje descartável é sinônimo de limpo. A economia nos faz crer que aquilo que é reutilizado pode não estar limpo o suficiente para nós. A cada nova refeição precisamos de produtos nunca antes utilizados por ninguém. E desse modo, uma simples refeição sem muita importância, um lanche rápido antes de ir pra casa, produz uma quantidade inusitada de lixo. Lixo virou sinônimo de limpeza. Precisamos produzir lixo para nos sentirmos limpos. A modernidade, a praticidade, o bem-estar a higiene: lixo. E assim como o lixo que produzimos somos nós, pobres criaturas descartáveis. Sempre em busca de algo novo, roupas novas, novos lugares, novas descobertas, jogamos o velho fora e o substituímos pelo novo. A cada dia somos substituídos pelo novo. E o ser humano já não é mais suficiente. Não se deixe descartar. Seja um copo de vidro, um prato de louça. Renove-se. Recicle-se.

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(a)guardo

Tenho nas mãos um coração maior que tudo.

Nem tudo é meu, e quem sou eu além de tudo.

(Zeca Baleiro)

Guardo em mim toda a angústia do mundo; toda culpa, toda saudade; toda melancolia, todo o exagero. É quando acordo sem metas pro meu dia, sem perspectivas pro futuro, sem emprego, sem forças pra esperar mais um pouco.

Guardo em mim a vontade de querer tentar. Guardo segredos. Guardo fotos. Guardo lembranças que me fazem bem. Guardo o desejo de querer ser melhor.

Vejo que o tempo passa, que os dias voam. Guardo meus livros na estante…

Guardo filmes pra ver depois.

Guardo o mundo na minha mochila; e no meu coração, guardo todos os sentimentos do mundo.

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tópico constitucional

“É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.”

(Art. 5°, IX, da Constituição da República Federativa do Brasil)

A censura incomoda o ser humano, pois ele é inconveniente. Não lhe basta apenas noticiar, retratar o cotidiano, seguir padrões, manter-se neutro; é preciso criticar, falar mal do outro, meter-se na vida alheia.

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